Uma luta contra as redes

Atualizado: 17 de jan.

Já escrevi aqui sobre ser empreendedora e ainda ter que lidar com o Instagram, principalmente. Além de todas as funções diárias, semanais e mensais, ainda precisamos trabalhar com foco na internet. Se vamos trabalhar em uma peça, já pensar se, e como produzir um vídeo dela. Se vai ser bordando, se vai ser montando, embalando, como serão os cortes de vídeo, se vai ser só uma transformação na edição. Pensar nas fotos, formato de postagem, frequência. Fazer fotos pessoais, de rosto, mãos com produto, ambiente de trabalho. Isso tudo para manter a presença online, que é a grande parte da vitrine para a maioria das empreendedoras.

Mas aí vem a questão que tem impedido a grande maioria, bloqueado, esgotado, a entrega das postagens, o alcance. Faço parte de um grupo de bordadeiras e estamos constantemente conversando a respeito. Sofrendo juntas, consolando, reclamando e tentando buscar soluções.

Muitas estão focando no trabalho manual e deixando o virtual de lado. Outras seguem tentando. Mas a verdade é que tudo vai contra sabe? Já saiu pesquisa que tanto Instagram quanto TikTok priorizam conteúdo fútil, banal. Dancinhas, pessoas apontando pra palavras, essas coisas atuais sabe? Então desanima demais pensar em produzir um vídeo, editar, escolher trilha com carinho, pra no final das contas nem 5% dos seguidores efetivamente assistirem.

Nesse momento, estamos perdendo essa luta. Não tem muito como condicionar seguidores, várias tentativas são em vão. E quando uma foto ou um stories ganha um espaço ficamos felizes, pra então no dia seguinte voltar ao "normal" e afundar na tristeza de não aparecer pra ninguém bem no dia de lançar um produto novo, uma campanha.

E o pior é ainda depender dessa "vitrine" online para alcançar clientes e potenciais clientes. E mesmo sabendo que não temos controle, ainda ficamos no questionamento profundo e pessoal. Pra onde foram os seguidores, porque fulano está crescendo e eu estou perdendo, o que estou fazendo de errado, deixei de ser relevante, não sou lembrada e assim segue.

Eu tento equilibrar, quando percebo o caminho que meus pensamentos estão indo, eu desligo, prefiro me afastar e focar em outras coisas. Pelo bem da saúde mental o melhor é desligar mesmo. O trabalho não é e nem deve ser só online, não deve ser focado na guerrilha, naquele marketing pesado, pelo menos não pra mim. Sai muito do foco que é o meu trabalho, o estilo de vida que escolhi.

E aqui está um desabafo do lado de cá. Redes sociais aproximam muito, mas tem o poder de isolar e destruir. É um esforço pra aparecer, mas também pra manter a sanidade que nos resta.