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Seis anos de Bem Mimosa

Hoje é dia de aniversário, o dia 1 da marca, o dia que ganhou nome, mesmo tendo sido gerada por meses. E se você não conhece a história, aqui vai:


Primeiro que oficialmente eu tentei bordar ponto cruz quando era criança, minha mãe estava grávida da minha irmã e eu quis fazer as toalhinhas. Devo ter feito meia boca umas três e odiei. O ponto cruz era limitado, lugar certo, caminho certo, quadradinho por quadradinho... mas saíram umas três escrito Gabi e desenhos indefinidos do lado porque não consegui seguir o gráfico, aí hora atrás ficava bonito, hora ficava um monte de palito.

Pula muitos anos, aprendi tricô pra poder usar vários cachecóis legais, coloridos, com pompom, longos, listrados, enfim, junto com o uniforme do colégio. Depois uns poucos anos me aventurei na bijuteria, fazia meus brincos e pulseiras, tentei vender mas eu tinha um gosto caro pra criar, então o preço de venda não era razoável pra minha geração que tinha aqueles empregos iniciais que não pagavam nada.

Pula mais uns anos e eu tava criando meu casamento, vivia no Pinterest e todas as minhas inspirações mais lindas eram de fora e o cenário nacional era ainda muito tradicional. Fiz vários detalhes que foram adicionados na decoração, fiz topo de bolo, meu bouquet, lapelas e muitas outras coisas, incluindo meus acessórios. Sim, eu tinha visto aqueles cintos, arranjos de cabelo e pulseira de pedraria e não encontrei ninguém fazendo por aqui, decidi tentar. Importante lembrar da referência que na minha formatura da faculdade, sem muita grana, minha mãe pegou um pedaço de tule e fez um super bordado em pedraria pra aplicar no vestido que conseguimos comprar (naquelas lojas que tem uns 10 vestidos iguais de cada cor. O bordado cheio, lindo, na cor do vestido foi aplicado, mas eu lembro de ver mais mulheres com o mesmo vestido que eu, mas eu era formanda, então quem se importa né?

Enfim, vi minha mãe bordando anos antes, decidi que poderia dar certo. Comecei com o da cabeça, que eu queria folhas pra moldar meu penteado, tentei uma coisa só, não funcionou, então decidi deixar as folhas soltas pra colocar uma a uma. Perfeito! depois fiz uma pulseira com acabamento em fita de cetim, fui bordando livremente, colocando pontos de luz, pérolas, vidrilhos e o que mais encaixasse no desenho livre que se formava. Fiz livre mesmo, sem aula, sem buscar a teoria base de nada, só queria fazer mesmo.

Então pula mais um tempinho e eu me via entediada a noite, aquela janela pós jantar e antes de dormir sabe? Nem sempre eu queria ver TV, nem sempre eu queria jogar algo ou ler. Queria criar com as mãos sabe? Sentia muito essa necessidade de fazer! E nessa época eu tinha um blog e tinha feito posts variados com dicas de presentes feitos a mão pra datas diferentes e posts sobre decoração com bastidores. E é claro que tinha encontrado referências de gente que já trabalhava com bordado.

E foi assim que decidi o que poderia começar a fazer nessa janela a toa noturna. Peguei o bastidor que já tinha dos bordados anteriores (não de ponto cruz, porque nem devo ter usado). Peguei uns retalhos estampados e comecei a ver uns guias de ponto no Pinterest, depois uns vídeos do Clube do Bordado e assim fui crescendo. Testei várias coisas, comprei tecido errado, mas porque eu não sabia que tecido queria (não sabia da existência do algodão cru) e era muito jacú pra questionar na loja, então aceitei o etamine que a vendedora ofereceu quando eu disse que queria tecido para bordar.

Por mais de um ano bordei coisas aleatórias e tenho tudo guardado, fiz presentes, bandeirolas de decoração presas em palito de churrasco, escritos feios, desenhos feios, pratiquei muito, e fui livre esse tempo todo. Ninguém começa a criar algo com estilo próprio e eu já sabia disso. Tinha em mente que era meu hobbie e que se por um acaso tomasse forma, tivesse uma identidade própria, eu pensaria em criar minha marca para vender. E então peguei um resto de tule que sobrou do meu vestido de noiva e decidi tentar bordar nele e ver como a linha se comportaria. Fiz uma guirlanda e até arrisquei um fio metalizado! Fiquei muito orgulhosa do meu feito, eu não conseguia não pensar no bordado no tule e no que eu poderia fazer com ele.

Criei um desenho novo, mais delicado, fiz testes pro acabamento, já que não "existe" verso pra esconder e o tule, mais fino que o algodão, ficava meio frouxo no bastidor. Consegui colar, cortar e pronto, ficou lindo, tirei foto e postei. Uma conhecida na hora quis comprar e eu vendi por 30 reais. 30 REAIS! Na época eu devo ter pago no bastidor uns 15 reais, sendo que em Curitiba era super difícil achar bastidores sem gancho ou minimamente diferentes, e os com gancho eram aqueles mais grossos com aquela aba de madeira pro gancho sabe? Mas enfim, fiz, vendi e continuei bordando no tule...


Estava tomando forma, mas nada oficial ainda. Então em um feriado com meus avós, levei dois bordados, um que estava terminando e outro pra fazer. Minha vó viu quando terminei o segundo, olhou, segurou e disse: "que coisa mais mimosa, você vai vender? Quero comprar". Vendi os dois pra minha vó, e voltei pra casa com o mimosa na cabeça. Passei uns dias procurando formas de trabalhar esse nome, rabiscando ideias, procurando se não usavam esse nome ou parecido pela internet. Até que cheguei no nome atual e registrei! E assim nasceu minha marca <3

E agora estamos aqui, sigo estudando, sigo transformando e buscando criar cada vez mais. As vezes mais livre, as vezes mais presa ao que vende, as vezes frustrada por não vender peças que doeram tanto pra serem criadas e ficaram lindas, outras vezes frustrada por ter que me adaptar a internet de hoje, sem querer muito focar nela, queria mais é produzir, criar e trabalhar o tanto de ideia que rola nessa cabeça e que não dá tempo das mãos colocarem em prática.

Mas hoje é dia de comemorar, fazer bolo e brindar. Seis anos de Bem Mimosa! Viva!

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