A inquieta das manualidades

Na verdade sou inquieta pra tudo. Nunca soube fazer uma coisa por vez, nunca me imaginei fazendo uma coisa só por muito tempo. Gosto de mudar, de criar, de planejar, de processos, de calmaria e de focar.

Meu marido sempre diz que eu não sei sentir tédio e sentar pra fazer nada. O que não é verdade, eu amo um dia de fazer nada, posso ficar sentada horas jogando algo. Mas se o tédio bate eu fico inquieta até do tédio, quero fazer algo, mudar, criar. Quando vê, já estou na cozinha cozinhando algo, e enquanto aquilo está no forno eu já estou limpando o fogão, a pia e os armários. De repente estou no quarto ajeitando gavetas e tirando peças sem uso para doação. Paro para olhar e ver o que posso virar, mudar de lugar.

E bom, no trabalho obviamente é a mesma coisa né. Tenho caderninhos e blocos com rabiscos e ideias de coleções, novos bordados, mistura de técnicas, projetos pessoais. Alguns dias nada me satisfaz, rodo essas anotações, pesquiso na Internet e livros, olho cores e materiais. Nesses dias prefiro fazer tarefas menos criativas como arrumar a mesa, organizar planilha, responder email, arrumar o site, pesquisar algum conteúdo, um novo aprendizado para leitura.

Mas é muito comum em dias animados eu estar criando uma peça e já ter outra em mente, rabiscar, saber que cores e materiais usar, como aplicar, como fazer e enxergar aquela peça pronta. Ah se minhas mãos fossem tão rápidas quanto meus pensamentos.

E como já contei aqui, o bordado voltou pra mim como uma atividade noturna, naquela janela pós jantar até hora de dormir. Quando nada na TV interessa, não quero ler e já cansei do computador e do celular. E então quando o bordado virou tarefa, nem sempre quero bordar nesses momentos, mesmo que seja para mim ou para presente. É aí que retomo todas as artes que eu amo, que quero praticar, que quero aprender. Faço meus cachecóis de tricô, me arrisco levemente no crochê e desde o início da quarentena tenho brincado de casinha em miniatura (qualquer hora falo mais sobre isso).

Pra mim, é necessário ter minhas mãos em atividade. Seja com comida, limpeza, na terra, nos tecidos, linhas, cola, papel. Mas não dá pra ser uma coisa só! Sou inquieta e logo já quero uma atividade nova.

Mas não é por isso que tenho materiais acumulados, projetos inacabados acumulando. Tenho uma lista do que está em processo, do que tenho em mente e amo ir riscando. Amo terminar assim como amo começar. E quando essa lista começa a crescer, eu paro e não me permito iniciar algo novo até terminar um ou dois. Tenho agonia de coisa parada, se eu sei que não vai sair eu já paro, desfaço quando dá e tiro da minha lista, da minha cabeça.

Sou inquieta, mas não sou acumuladora, e eu já falei sobre isso em outro post!