Redes Sociais: trabalho, instabilidade e educação

Nesses últimos dias conversei com muita gente como eu, que precisa das redes sociais para trabalhar mas elas nos esgotam cada vez mais.

Vem entender mais: Chuva de informação o tempo todo, da família, da pizzaria, da marca de maquiagem, da banda favorita, da melhor amiga, do curso de idiomas, de notícias, de bichinhos fofos, de memes, de frases bonitas e tantas outras coisas mais. E no meio disso tudo estamos nós, pequenos empreendedores tentando ter alguma audiência que seja convertida em nada menos que compra! Nosso trabalho não é de influenciador, não vamos ganhar com likes, com comentários, não geramos conteúdo para isso. Geramos conteúdo para converter em venda. Seja ela física, prestação de serviço ou digital.

Com frequência as redes mudam tudo, e lá vamos nós estudar sobre audiência, horários de postagem, gráficos, KPIs, tipos de postagens, novidades, estudos, pesquisas. E então mesmo que de forma simples criamos uma programação de postagem, pensamos em vídeos que podem chamar a atenção e dar visualização, pensamos em uma foto mais interessante que dê destaque ao produto, produzimos essas imagens com cuidado e carinho, coletamos informações de público, melhor horário pra audiência, melhor dia da semana, melhor forma de abordar a legenda e gerar engajamento e pronto. Todo esse processo para postar uma única imagem. Para tentar aparecer no meio de toda aquela galera que citei lá em cima.

E ainda tem que fazer atendimento, orçamentos, compras, envios, produzir, fazer stories para o perfil se manter relevante e mais um monte de mini coisas que nem entram na lista, mas que aparecem na rotina.

Loucura né?

Então nesse furacão todo ainda tem a educação online, que esgota mais do que qualquer coisa. Ali em cima faz parte do trabalho, o aprendizado constante, as mudanças. Mas estar exposta a pessoas mal educadas, pessoas que comentam com informações desnecessárias porque "só to te falando", criticam, julgam, sugam.

Podemos receber 100 comentários positivos e agradáveis, é ter um negativo, crítico que nos derruba, nos faz questionar muita coisa. É ter um possível cliente que não aceita seu processo de atendimento, seu tempo, que nos faz questionar se o que estamos fazendo é o certo.

Essa semana ouvi de muita gente comentários variados e absurdos que receberam de graça na internet. Criticando, seguindo aquela linha do "é só minha opinião, sou direta mesmo", mas na verdade é falta de educação mesmo, falta de empatia, falta de pensar a forma de dizer.

E então temos os comentários completamente sem educação mesmo. Gente que não dá um bom dia e vem com um "quanto custa?". Já pensou entrar em uma loja apontar para um item olhando pra vendedora e gritar "quanto?". A vida online não é diferente sabe? Os interesseiros que só querem saber como você faz para reproduzir. Os que comentam marcando alguma pessoa conhecida para reproduzir aquela peça pra ela. E então os que querem perguntar tudo, mas não querem buscar nada, esses tem de sobra.

A maioria das pessoas que trabalha na internet, disponibiliza o máximo de informações em todo canto. Eu tenho aqui no site, o blog e os produtos, no Instagram indicando o acesso ao email, ao site, vários destaques salvos com outras informações, vídeos, fotos, legendas, IGTV. Tem bastante informação por lá, fácil de acessar, ler, ver e clicar.

A exaustão está batendo em todas nós que estamos conectadas tentando trabalhar, estamos tentando facilitar a nossa vida e a de quem curte nosso trabalho. Trabalhamos noites e fins de semana até quando parece que estamos descansando, tudo para chegar no melhor formato, atendimento, produção legal pra todo mundo.

A batalha diária que é aparecer e ser relevante para tentar converter em venda. A batalha diária de estar exposto na internet a todo tipo de público, todo nível de educação, dos que se sentem no direito de falar o que pensam, os que se sentem no direito de roubar conteúdo, dos que acreditam que isso é seu trabalho, aguente, dos que querem resposta aqui e agora! Até os melhores dos mundos, pessoas educadas, engajadas, os que podem comprar e apoiar o trabalho sem questionar, os que precisam guardar o suado dinheirinho para um dia ter uma peça sua, os que te procuram quando realmente não encontraram uma resposta no seu perfil ou até mesmo no google.

Não é fácil estar online, não é fácil ser um iceberg onde muitos acreditam que sabem tudo sobre você, sua rotina, sua história, seu trabalho, mas bem da verdade não vêem quase nada.

Então hoje, escrevendo e desabafando sobre tudo isso, você aí do outro lado, você na mesma posição que eu, eu te vejo, eu sinto você, estamos juntes, me chama, vamos conversar! E você que só está lendo, está do outro lado, seja comigo ou com qualquer outro ser humano online, lembre que você sabe muito pouco da vida da outra pessoa, que essa pessoa trabalha e tem momentos de descanso, que não é responsável pelos problemas da sua vida. E acima de tudo, trabalha pra tentar ganhar a vida com pouco apoio, quase no grito em meio a tanto ruído. Respire fundo antes de atormentar, pense bem na sua pergunta, leia as legendas, procure alguma resposta por conta primeiro. E se você já sabe da informação que está sendo passada, não precisa avisar, ninguém tá inventando a roda ou lançando estudo científico novo, segue sua vida, tem gente que não sabe e aquela informação pode ser importante.

Ufa. Foi pesado? Confuso? Muita informação?

Se uma pessoa se sentir abraçada com esse texto, terei feito o meu trabalho. Se uma pessoa rever atitudes e absorver para evoluir como ser humano, terei ganho o dia!