Por que no tule?



Quando comecei a bordar sabia claramente que precisava praticar muito, testar estilos, ver muita inspiração pra não copiar ninguém. Vi muito trabalho incrível e por vezes era frustrante e desanimador. Temos essa mania absurda de se comparar e de começar querendo perfeição.

E então algumas fontes se misturam, a primeira que sempre comento é o trabalho da Olga Prinku que faz uma arte linda com folhas e flores secas costuradas no tule. Me encantei com aquela leveza do tecido, a transparência. Outra fonte foi eu mesma, que muitas vezes deixo de lado e esqueço.

Mas começa com minha mãe na minha formatura da faculdade. Com a grana apertada compramos um vestido simples, desses de loja que tem o mesmo modelo de várias cores então ela comprou pedrarias e em tule bordou um recorde para fixar em um espaço vazio e sem graça do meu vestido. Tinha uma convidada de alguém com o vestido igual (em outra cor), mas o meu tinha um bordado da minha mãe <3.

E então anos depois, apaixonada por acessórios de noiva que via no Pinterest resgatei o bordado da minha mãe pra me arriscar fazendo os meus acessórios. E então casei com folhas bordadas em tule no meu cabelo e uma pulseira. Tenho um baita orgulho dessas peças e deixou tudo ainda mais especial.

E então voltando ao bordar, eu treinando pontos, desenhos, estilos vi o trabalho da Olga, lembrei dos bordados com pedraria, juntei com meu amor por plantas e fui testar a ideia toda que formou na minha cabeça. Fazia todo sentido, mas eu não sabia se daria certo.

O primeiro saiu, cheio de falha, mas cheio de orgulho de ver que tinha encontrado um caminho. E então agarrei o tule e falei, vamos andar juntos nessa? E cá estamos, eu vivo aprendendo com ele, vivo estudando, testando, trabalhando as mãos, a paciência, o olhar...

Amo o resultado final, amo ver a surpresa das pessoas ao ver pela primeira vez, a curiosidade no toque, na descoberta. Tule é amor!