Não sou a primeira, mas sou referência?

Atualizado: 17 de jan.

Quando comecei a bordar, foi para ter um hobbie. Sempre explico que na época buscava uma atividade noturna, para ter algo para fazer com as mãos no tempo após o jantar até a hora de ir dormir. Tem dias que eu não queria ver nada na TV, não queria ler, só ocupar as mãos enquanto ouço música.

E eu cheguei no bordado porque na época trabalhava com meu blog, e tinha feito dois posts, um sobre decoração com bastidor e outra sobre presentes feitos à mão. E nessa busca por imagens e fontes, coletei muita referência e me apaixonei.

Antes disso, quando organizei meu casamento fiz muita coisa a mão, e uma dessas personalizações, foram meus acessórios, que eram apenas o arranjo do cabelo e uma pulseira, ambos de pedrarias bordadas em tule. Loucura né? Por isso eu tinha sobras de tule em casa e um bastidor.

E então no aprendizado eu passeei por vários estilos do bordado (só ponto cruz que não porque aprendi quando era criança e me senti muito presa aos pixels). O bordado livre já estava em crescimento, especialmente frases, palavrões com flores e de filmes e série. Eu achava legal, mas não era o que eu queria sabe? Então fui brincando, reproduzi uns letterings, criei os meus, fiz flâmula, cenários, simples e detalhados, bordados miudinhos e bordados maiores. E foi aí que me encontrei no bordado de flores e folhas. Tenho meu favorito que fiz em um retalho de tricoline, uns ramos com folhas bem miudinhas formando um coração.

E nas andanças pelo Pinterest olhando referências de arte em bordado, sempre aparecia a Kathrina, uma russa com um trabalho único e incrível e a Olga, que faz um trabalho com flores secas aplicadas no tule.

E foram as duas mulheres que me inspiraram. Não sou a primeira, e elas também não são. Mas foi aí que comecei a encontrar meu estilo.

Lembram que disse que eu buscava algo e não era o que já estava sendo feito? Pois é. Eu tinha definido para mim que para o hobbie virar um negócio, teria que ter minha assinatura, teria que ser algo bem meu sabe? Então fui brincar com o tule, entender aquele tecido, aquela trama, ver como era o bordado em um lugar diferente, se seriam os mesmo pontos.

Foi quase como que reaprender os pontos que já tinha aprendido. E olha, sigo aprendendo. Sigo estudando. Quando aprendo um ponto novo, já penso se ele funcionaria bem no tule. Meu estilo? Sigo trabalhando nele, aprendendo novas técnicas, misturando.

Mas essa semana recebi alguns comentários que aquecem o coração e reafirmam o que eu desejei lá no começo, que identificassem meu trabalho sem mesmo ver a assinatura, que encontram trabalhamos diferentes e me enviam porque sabem que vou gostar. E vai além do que eu imaginei, lembram de mim quando veem alguém tentando o bordado em tule, alguém que já faz trabalho em tule, e bordados 3D também. Lembram de mim quando encontram tantas outras técnicas e estilos, quando encontram cogumelos e flores que ficariam bem bordadas.

Sou uma referência? É esquisito pensar nisso e entender, mas talvez eu seja. E dá um baita orgulho e frio na barriga! Espero e busco sempre ser exemplo, ser honesta, ser justa, ser sonhadora. E mais importante de tudo, encorajar as pessoas a buscarem seu melhor, seu estilo, estudarem, colocarem a mão na massa, se arriscarem!

E se você está aqui, obrigada, por me acompanhar, por estar comigo nesse caminho.